23 de dez. de 2012

- A Casa -


Era de madrugada, estava na escadaria que leva para o segundo andar da casa que tem no quintal de nossa casa. Estava sentado lá, olhando para o luar. A temperatura abaixava e eu resolvi sair para a cama, já estava cansado. Desci as escadas, e conforme chegava perto do muro do meu vizinho, que era do lado do corredor que seguia até a cozinha, eu comecei a ouvir passos. Não meus passos, passos que não eram meus. Parei para ouvir melhor, e os passos sumiram. Voltei a andar, e os passos voltaram. Fiz esse processo de parar e voltar a andar mais 3 vezes, e eu só ouvia os passos quando eu andava. Ok, estava louco. Os passos eram meus, então segui para o corredor.

Foi ai que eu descobri que os passos não eram meus...


Não, não havia ninguém no corredor, antes fosse. Por mais que, fizesse pouco tempo que eu morasse naquela casa, 1 mês apenas, eu já sabia que aquele corredor, por ter piso diferente, produzia um barulho único nos passos, e alem dos meus passos eu ouvia outros. Parei. Olhei para ambos os lados. Nada nem ninguém. Andei para trás, voltei a ouvir os passos duplos. Paro. Nada nem ninguém. Repito o processo mais algumas vezes, nunca enxergando ninguém.

A unica resposta para isso era o muro do vizinho. Subi o muro, e… quando coloquei a minha cabeça acima do muro e olhei tinha alguém olhando pra mim eu cai.

- Mas… que porra? - Balbuciei

Eu não acreditei no que meus olhos tinham visto. Não pude reconhecer o rosto, ou quem era. 
Talvez “o que” era… Então resolvi olhar de novo.

De novo, a coisa estava lá olhando pra mim. Estava muito escuro, não conseguia identificar o que era… então eu me esforcei para ir um pouco para o lado, e a pessoa me acompanhava. Para o outro e acompanhava também. E mexia a cabeça e tudo era igual. Eu estava com as costas apoiada no muro da minha casa, o que fazia com que só minha cabeça aparecesse para ele… Mas incrivelmente, ele mesmo sem ter um muro para se apoiar, ela estava exatamente igual a mim até onde eu conseguia ver. Desci. Resolvi fazer mais um teste. Corri para frente de casa, pulei o muro, e olhei para o lado. A pessoa/coisa estava exatamente na frente da casa do vizinho, como eu estava exatamente na minha casa. Ainda estava escuro de mais para enxergar algo, então corri para o poste de luz que tinha do outro lado da rua e a pessoa corria também. Nós nos encontramos na luz e…

A coisa era eu. Eu, com buracos escuros no lugar dos olhos. Gritei.

E então acordei.

Minha mãe se encontrava na porta do quarto, e meu pai apareceu logo depois.

- Que que aconteceu? – Ela perguntou

- Ahn? – Olhei em volta, tava no meu quarto, tudo normal, tinha sido só um sonho – Ah, nada não.

- Tá bom então, ó, eu e seu pai estamos saindo, a gente volta umas 5 horas. Tem certeza que não quer ir?

- Não mãe, eu to tranquilo… eu vo fica de boa aqui, relaxa.

- Tem certeza? A gente ta morando nessa casa faz só 1 mês, você não conhece ninguém nem a vizinhança.

- Ah, eu me viro aqui… to de boa.

- Ok – E virando para o meu pai que já tinha se afastado – Se tá pronto?

Levantei e fui me arrumar. Não demorou até que eles tinham saído. Fui ver o horário, eram 13:00. Acordei tarde de novo, eu tinha que parar com isso… por mais que fossem férias.

Tínhamos nos mudado para a casa no começo das férias, antes morava em um condomínio  do outro lado da cidade… era a primeira vez que eu morava em uma casa. Eu não tinha o que fazer mesmo, não conhecia ninguém nem nada, e a maioria dos meus amigos, ou tinham viajado, ou iriam viajar e não tinham tempo pra marcar nada. E não conhecia ninguém na rua. O jeito era o computador mesmo, que eu me sentei e fiquei a maior parte do tempo.

Fiquei muito tempo, pra dizer a verdade.

Eram 4 horas quando eu levantei e fui pra cozinha, pegar algo pra comer. Eu então lembrei do sonho que tive, e resolvi ir para o corredor. Não haviam passos de outras pessoas, ainda bem. Mas a curiosidade me matou. Seria por acaso a casa do vizinho exatamente como havia visto no sonho? Tudo bem que estava tudo escuro, mas eu lembro de ter visto um corredor também, que terminada em uma porta que provavelmente daria em um comodo que terminaria na sacada da casa dele, que eu já havia visto por fora.

Subi o muro, e o que viu me surpreendeu.

Era exatamente como no sonho. Mas agora, como ainda estava de dia e claro, eu conseguia enxergar tudo claramente. Havia uma “jardim” com vários arbustos no canto direito do quintal deles que não chamou muita minha atenção em primeiro momento, e sim o que chamou minha atenção, foi o corredor que de fato terminava em uma porta de vidro, onde era possível enxergar que havia um comodo que dava para um portão de ferro que dava para a sacada. Aquilo me surpreendeu, pois, nunca tendo visto a casa do vizinho, eu sabia exatamente como ela era no sonho, salvo alguns detalhes. 
Ok, eu olhei para o arbusto e encontrei entre eles o meu rosto olhando para mim… 
Só que não haviam olhos, assim como no sonho. Assutado eu cai. 
Mas dessa vez, diferente do sonho, eu senti dor. Ou seja…

Aquilo não era um sonho.

- Merda! Merda! Merda!Merda!… Droga minha perna… – Eu reclamei, levantando
 rapidamente e correndo até meu quarto.

Minha perna parou de doer rapidamente, a queda não foi alta, mas enquanto eu corria e passava pela cozinha, eu parei na entrada do corredor que dava para os quartos. 
Algo me disse que tinha algo errado por ali. 
Olhei para trás… Eu havia me enforcado no lustre de casa… 
Os meus olhos, que faltavam no rosto novamente, com brancos buracos pretos… 
Estava enrolados no meu pescoço… Aquilo era muito bizarro para ser verdade.

Correndo, eu fui para o meu quarto sem olhar para mais nada, peguei meu celular, fechei a porta do quarto e entrei no guarda roupa (por mais incrível que pareca) e fiquei por lá. Fui ver meu celular, para ver se conseguia ligar para alguém, e estava totalmente sem sinal… a unica coisa que eu podia fazer por ele era ver o horário. Eram 4 e 45 da tarde. Meus pais em breve chegariam, então, eu esperei.

De minutos em minutos eu olhava pro meu celular, para ver que horas eram. O tempo passava e nada.

Já eram 8 horas quando eu resolvi sair.

No meu quarto não tinha nada, ta tudo tranquilo… Então, eu resolvi, hesitante, abrir a porta.

Eu nunca devia ter feito isso.

Eu abri a porta e encontrei novamente eu mesmo parado, sem os olhos, com os mesmo buracos no lugar de tudo aquilo, e, dessa vez com um sorriso macabro.

Fechei a porta com todas as forças que eu tinha. A porta bateu com tanta força que o vidro atrás de mim, da minha janela, que estava fechado rachou com um barulho enorme que fez com que eu olhasse para trás e visse, novamente, eu mesmo entrar voando, com o mesmo sorriso e a mesma falta de olhos pela janela, quebrando-a e atravessando meu próprio corpo, 
fazendo com que eu desmaiasse, soltando um grito abafado.

Acordo.

Estou no meu quarto, ainda são 4 horas e 45 minutos ainda, mas ao invés de estar no guarda roupa  como eu estaria nesse horário, ou então caído no chão como eu provavelmente acordaria, eu estou sentado na mesa do meu computador. Eu havia adormecido na mesa do meu computador.

Comecei a rir. Tinha sido tudo um sonho. Fui rindo para a cozinha, onde peguei um copo de aguá e o bebi rindo, quase engasgando com a aguá. Continuei rindo quando subi o muro que dava para a casa do vizinho, e… parei de rir quando me vi novamente, sem os olhos e com aquele sorriso… 
Aquela droga de sorriso macabro.

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